sobre

Douglas Germano

Compositor paulistano

Sua trajetória com música começa dentro de casa através dos instrumentos de percussão do pai que era músico da noite. Ainda garoto, aos 12 anos, passa a fazer parte da bateria da Nenê de Vila Matilde onde desfilou entre o começo da década de 1980 até o começo da década de 1990. Aprendeu a tocar cavaquinho escutando discos e assistindo outros músicos nas rodas de samba da cidade de São Paulo. Começou a compor suas primeiras músicas por volta de 1986. Foi gravado pela primeira vez em 1991 pelo grupo Fundo de Quintal.

Douglas estudou violão com Ruy Weber e diz que deve a este seu envolvimento consciente com música e com a composição. Foi um péssimo aluno, mas um atento ouvinte que seguiu as orientações do professor. Tomou contato com outros autores, outras formas musicais, a música erudita, lírica, a popular de outros países, a nossa regional e, fundamentalmente, compreendeu a partir daí a música como suporte artístico de expressão do tempo, do povo, do lugar, da história, seja ela a mais miúda ou a mais abrangente.

Também através de Ruy Weber, Douglas conheceu João Poleto. Músico extraordinário da flauta e do Sax. João o convidou a integrar o conjunto de músicos que executariam a música do espetáculo “O Mistério do Fundo do Pote” de Ilo Krugli pela Cia. Teatro Vento Forte em 1991. Em 1994 Poleto o convida novamente para integrar o grupo musical para o espetáculo “Torre de Babel” de Arrabal, com Direção de Paulo Fabiano pela Cia.Teatro X. No ano seguinte, João indica Douglas para realizar a direção musical do próximo espetáculo da Cia. Teatro X: Zumbi. Douglas realiza a direção e compõe a trilha original do espetáculo. E assim seguiu como diretor musical da Cia Teatro X por mais 10 anos, realizando e compondo as trilhas dos espetáculos da Cia Teatro X: “Zumbi”, “Espólio”, “Bando de Maria”, “Calígula” (finalista no Prêmio Shell de 2003 na categoria de Melhor Trilha Original) e “O Cobrador”.

Em 2004 foi convidado por Kiko Dinucci a integrar o Bando Afro Macarrônico que se apresentava às quartas-feiras no Bar Ó do Borogodó. Douglas e Kiko haviam se conhecido por volta de 1998 no projeto Mutirão do Samba que Douglas juntamente com Antônio Carlos Moreira, Everaldo F. Silva e Paqüera organizavam no centro da cidade. Um projeto que reunia compositores com a intenção de registrar as próprias obras. O Bando Afro Macarrônico foi uma oportunidade de aproximação entre os dois compositores que gerou, devido a inquietação de ambos, uma série de parcerias e um disco: O Duo Moviola. Esse disco seria, talvez, a célula-mater do trabalho de ambos dali por diante: Irreverente, urbano, cotidiano e com olhar voltado para o próprio tempo.

Em 2011 Douglas lança em formato digital o disco ORÍ, seu primeiro disco solo, produzido por João Marcondes através do Selo BAC Discos. Nele há composições do período e outras que estavam guardadas havia tempos. O disco, apesar de não existir fisicamente, teve boa repercussão e levou Douglas a ser finalista do 23º Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor Cantor de Samba.

Em 2016 ganhou o Prêmio Multishow na categoria Música do Ano por sua “Maria de Vila Matilde”. Com a mesma canção foi indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor música em língua portuguesa.

Agora, Douglas lança, de maneira independente, seu segundo disco solo: “Golpe de Vista”. Com composições da última década e com instrumentação diminuta: Violão, Cavaquinho e caixa de fósforos. O disco foi muito bem recebido pela crítica especializada e lhe rendeu indicação ao Prêmio APCA 2016.

Carlinhos Vergueiro, Kiko Dinucci, Juçara Marçal, Thiago França, Metá-Metá, Juliana Amaral, Karina Ninni, Railídia Carvalho, Grupo Fundo de Quintal, Paula Sanches, Janína Fellini, Nathália Mattos, Marcelo Pretto, Elza Soares são alguns dos intépretes que levaram ao público as composições de Douglas Germano. O Bar Ó do Borogodó e a Casa de Francisca os lugares onde sua música foi acolhida e teve espaço.

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