POR AQUI NÃO PARA DE TOCAR… Roberta Martinelli – Coluna Som a Pino – Estadão

POR AQUI NÃO PARA DE TOCAR…

Elza Soares foi indicada para o Grammy Latino (parabéns, claro! Prêmio é uma delícia, mas não acho legal pautar nossa vida nisso, afinal ela já tem toda nossa admiração) em duas categorias: melhor álbum de música popular brasileira por A Mulher do Fim do Mundo, e melhor música em língua portuguesa por Maria da Vila Matilde (porque se a da Penha é Brava, Imagina a da Vila Matilde), composição de Douglas Germano. Ele fez a música inspirado por seu pai que era o típico malandro, viciado em jogo, tinha um ciúme mortal da mulher 15 anos mais jovem e a agredia. Isso sempre foi um segredo de família. Até que, um dia, o compositor ainda criança – 11 anos – estava assistindo à televisão e viu no TV Mulher a apresentadora Marília Gabriela entrevistando a Elza. Foi a primeira vez que ele viu uma artista falar sobre violência contra a mulher. Anos depois, ouvir a música, na voz dela, deve ser de uma emoção que nunca saberemos. Só sei que ele chorou muito. Douglas Germano é um grande compositor com músicas gravadas por Criolo, Juçara Marçal e está lançando agora o terceiro disco, Golpe de Vista. Douglas é um poeta urbano, observador da realidade e artista conectado com seu tempo. Consegue falar do mundo, falando de sua aldeia, fala de um Brasil profundo, de um ano duro, do que acontece agora.

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