Crítica: Tárik de Souza em Instituto Memória Musical Brasileira

# O samba paulista de ases peculiares como Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Geraldo Filme, Eduardo Gudin, Germano Mathias, volta a surpreender no eloqüente CD “Golpe de vista” (Independente) de Douglas Germano. Nascido na rua Grécia, em Pinheiros (atual Jardim Europa), numa casa comprada “com moedas” pelos avós que vieram de Portugal, Douglas começou a despontar ainda sob o apelido Cuca, numa parceria com Carica, “Vida alheia”, gravada pelo grupo Fundo de Quintal, no disco “É aí que quebra a rocha”, em 1991. Violonista, cavaquinista e batuqueiro, frequentador da escola Nenê de Vila Matilde, ele já lançou dois discos, “Ori” (em edição apenas virtual), indicado ao Prêmio da Música Brasileira, como melhor cantor, em 2011, e outro no duo Moviola, dividido com o compositor, violonista e guitarrista Kiko Dinucci, outro sambista fora da zona de conforto. As singularidade de “Golpe de vista” começam na economia de meios instrumentais descritas por Douglas no release (“Eu, meu violão, meu cavaquinho e minha caixa de fósforos”) com raras participações de Pedro Moreira (trombone em “Maria de Vila Matilde”, libelo feminista registrado por Elza Soares em seu mais recente disco), e João Poleto (sax e flauta) além de coro de cantoras, “reforçando as tensões das narrativas”. E elas não tem replay. “Como num filme, um livro, uma peça de teatro, as canções começam e terminam, sem estribilhos e repetições. Ver, ler, ouvir novamente fica sob responsabilidade do ouvinte”, prega ele. Há duas exceções “Canção pra ninar Oxum”, propositalmente mântrica e a desafiadora “Mourão que não cai”: “Fiz do olho uma seta de Alta mira/ jogo o jogo sem pio/ hora palco, hora meio-fio”. Nos seus sambas enxutos, repletos de ginga ele cita de João Bosco (“Guia cruzada”) ao Nelson Cavaquinho sarcástico de “Podes sorrir” em “You S/A”. No ano do centenário de “Pelo telefone”, DG confia na renovação da matriz. “Sou avesso ao estereótipo do sambista, às cristalizações do gênero tão prejudiciais, às congeladas formações de instrumentos que resultam num mesmo som. Acho que o gênero pode ir longe. Faço dele meu suporte artístico e não o concebo cheio de amarras, sotaques e convenções, seja na instrumentação, na forma de toca-lo ou nos temas que ele aborda”. Confira a originalidade da pegada de Douglas Germano em: http://douglasgermano.com.br/

 

link direto: http://immub.org.br/noticia/golpe-de-vista

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